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Conheça a Mulher-Maravilha pós-crise do George Perez | Comics Hunter

Primeiramente gostaria de me apresentar, meu nome é Gabriel Nascimento, sou basicamente formado em nada (por enquanto), mas tenho uma paixão fortíssima por quadrinhos e até hoje me lembro da minha primeira HQ, que foi uma do Homem-Aranha n°1, mas não a original, era parte de alguma nova série do teioso, porém, nunca mais tive acesso a esse material novamente nem nos confins mais obscuros da internet. Entretanto, chega de falar de mim, e bora falar sobre HQs.


Imagine um roteirista incrível com um vasto conhecimento sobre o universo DC e uma revista que vende “pra cacete”, junto a ele, um artista fenomenal. Juntos os dois propuseram a DC uma forma de organizar a casa, assim surgiu Crise nas Infinitas Terras escrita por Marv Wolfman e ilustrada por George Pérez, e como era para colocar ordem na editora vários heróis foram rebootados, e vou contar um pouco sobre um desses novos/velhos personagens.

Em 1987 chegava às bancas Mulher-Maravilha n°1 com roteiro e desenhos de George Pérez e argumento de Greg Potter, que por incrível que pareça, George nem pretendia ficar no título, ele só topou por causa de um pedido especial vindo da editora Janice Race, que como argumento levou ao conhecimento do melhor ilustrador brasileiro que já vi, na verdade, melhor ilustrador em geral dos quadrinhos. Já tínhamos John Byrne, cuidando do Superman e Frank Miller com o Batman. Então uma grande mulher como nossa queridíssima Diana também merecia um titã trabalhando nela, assim, Pérez assumiu o título. Sua mulher-Maravilha devia ter tido apenas seis edições, mas ele curtiu tanto o trabalho que trabalhou em mais números.


Bem, para começo de conversa, ele trouxe para a mitologia da personagem os deuses gregos. Eles já meio que faziam parte da obra original de William Moulton Marston, mas nada presentes como agora. Na origem de 87, á Rainha Hipólita foi abusada por Hércules, e suas companheiras pelos homens do mesmo. Depois do triste incidente ás amazonas se isolam do mundo dos homens e ganham imortalidade, contanto que não deixem Themyscira. E em um determinado momento a rainha pede a Zeus que lhe dê uma filha, o pedido é concedido, e Diana é moldada a partir do barro, e também é a única criança da ilha paraíso, coisa que pode ser vista como problemática de certa forma, afinal, Hipólita protegeu a filha além do limite do aceitável por uma mãe comum, mas no caso essa nunca foi uma mãe comum.


Conheça a Mulher-Maravilha pós-crise do George Perez
Conheça a Mulher-Maravilha pós-crise do George Perez

E claro, essa HQ não fica só nisso. Em um determinado momento, Steve Trevor cai na ilha, e uma amazona deve ser escolhida para levá-lo de volta ao mundo dos homens (o motivo é spoiler), no caso acontece um torneio onde uma estranha arma mundana é apresentada (um revólver, isso é importante para origem da princesa Diana, e do Steve), e apesar dos protestos da rainha, sua filha consegue participar disfarçada e ainda por cima ganha, se tornando assim a Mulher-Maravilha, e sendo encarregada de levar Trevor para casa, e é nesse ponto que tudo fica bem interessante.

Conheça a Mulher-Maravilha pós-crise do George Perez
Conheça a Mulher-Maravilha pós-crise do George Perez

Pérez ao longo da jornada vai nos apresentando vários vilões incríveis como a Mulher-Leopardo, os filhos de Ares, o próprio deus da guerra, Pã o filho de Hermes . Além de bons vilões também temos coadjuvantes bem legais, o já mencionado Steve Trevor, que aqui já tem mais de 40 anos e é um amigo de Diana e nada mais, Etta Candy o interesse amoroso do Trevor e alívio cômico até certo momento, Julia Kapatelis e sua filha Vanessa que são as mulheres que guiam a princesa pelo mundo do patriarcado dentre outros.

Mas não é só de bons vilões e coadjuvantes que se vive um clássico, no caso temos uma estória bem escrita e desenhada, com momentos inesquecíveis, tal qual o encontro de Vanessa com a vilã Ruína que não acaba nada bem e nos dá um aperto no coração, ou momentos onde você percebe que todos são feitos de tons de cinza, não existe aquele mal absoluto nem mesmo no deus da guerra, nessa HQ tudo tem um motivo, e nem Zeus é completamente bom, aqui Diana faz escolhas duvidosas, ela não é perfeita, ninguém é.

Para finalizar, gostaria apenas de deixar apenas mais um motivo para ler isso. Em 1988 a DC lançou Milennium, uma dessas mega sagas bem ruinzinhas escrita pelo Steve Englehart e ilustrada por Joe Staton, no geral todos heróis foram envolvidos, e bem, acho que nenhuma equipe criativa gosta de lidar com essas sagas que interferem nas mensais, mas não George Pérez e Len Wein (o cara que ajudava nos roteiros nessa época, que merece um artigo só para ele), os dois conseguiram usar o evento de uma forma legal e que se encaixa no contexto, trouxeram Hércules de volta para mostrar as consequências de seus atos, e ainda finalizar seu arco. Ou seja, nem mesmo uma saga sem sal consegue abater nosso querido brasileiro.

Quando comecei a escrever esse artigo, pensei em contar cada quadro do início dessa mensal, mas então percebi que da mesma forma que ninguém deve ter seu Homem de Aço estragado com spoilers ou Batman: Ano Um, ninguém merece perder nenhum momento desse clássico. Antes de ir gostaria de dizer que os volumes dessa HQ estão fáceis de encontrar, todos foram relançados em capa cartão pela Panini, e sinceramente, não está caro, infelizmente não teve aquele tratamento de luxo que dão para Ano Um, mas já vale a compra, afinal, não é qualquer brasileiro que consegue uma vaga para escrever e desenhar uma HQ americana, não que elas sejam as melhores, mas não é tão fácil assim entrar no mercado, ainda mais nos anos 80.

“Eu me ouvi dizer: “e se eu assumir a Mulher-Maravilha pelos primeiros seis meses - só para tirá-la do ponto de partida?” Eu nunca fui beijado por uma editora antes e acho que deveria agradecer ao John Byrne por isso, também.”, George Pérez.

Por: Gabriel Nascimento
Revisão: Luan Souza




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